sábado, 1 de outubro de 2011

Momentos solitários de um jovem carpinteiro

“Ao saber o que havia acontecido com João Batista, Jesus saiu dali num barco e foi SOZINHO PARA UM LUGAR DESERTO. Mas as multidões souberam onde ele estava, vieram dos seus povoados e o seguiram por terra. Quando Jesus saiu do barco e viu aquela grande multidão, ficou com muita pena deles e curou os doentes que estavam ali...”
“Logo depois do milagre da multiplicação dos pães e dos peixes, Jesus ordenou aos discípulos que subissem no barco e fossem na frente para o lado oeste do lago, enquanto ele mandava o povo embora. Depois de mandar o povo embora, JESUS SUBIU UM MONTE A FIM DE ORAR SOZINHO. QUANDO CHEGOU A NOITE, ELE ESTAVA ALI, SOZINHO.” Mateus 14. 13, 14, 22 e 23

Depois que Jesus soube da morte de seu primo João Batista ele precisou de um tempo para ficar sozinho. Lendo este trecho do livro de Mateus percebemos que ele buscou isso, ele precisava disso. Pergunto-me sobre o porquê de Jesus querer ficar sozinho e fico especulando as razões.
Mais que qualquer pessoa ele sabia exatamente a razão de sua existência, sabia o motivo de sua vinda ao mundo, sabia onde tudo iria terminar e, acima de tudo, sabia da importância de sua missão aqui na terra. Sendo assim ele tinha noção exata de tudo por que iria passar para ver sua missão terminada.
Ao saber da maneira trágica e brutal que seu primo havia morrido talvez (e isso é pura especulação de minha mente) o divino Jesus, que era também 100% humano, tenha sentido medo de tudo o que iria enfrentar. Ele sabia que iria passar por um sofrimento terrível, mas será que tudo isso era necessário? Será que o mundo pelo qual ele veio se entregar merecia todo o sacrifício?
Ele iria sofrer por uma multidão que glorificava a Deus por ver em Cristo a realização de milagres impressionantes (Mt 15.31), mas que tempos depois gritaria em coro: “crucifica-o!!” (Mt 27.22,23).
Ele iria sofrer por homens que, mesmo andando ao seu lado por três anos e vivendo num clima de amizade e intimidade, fugiriam e o negariam quando as coisas apertassem.
Ele iria sofrer por uma sociedade religiosamente formatada para que dessa religiosidade pudessem sugar o máximo em seu próprio proveito, mas que não compreendia o significado da verdadeira religião: o amor.
Ele iria morrer por uma mãe que com um gélido coração é capaz de jogar seu filho recém-nascido em uma lixeira.
Ele morreria por uma tia que sem compaixão é capaz de decepar a mãozinha de sua sobrinha de três meses.
Ele morreria por um jovem transtornado e desiludido que absorvido por sua loucura entraria em uma escola com o objetivo de dizimar dezenas de crianças e adolescentes.
Valeria a pena tanto sofrimento? Valeria a pena morrer por pessoas que insistem em abandoná-lo em seu modo de vida pós-moderno? Valeria a pena morrer por pessoas que escolhem viver longe de seu amor? Valeria a pena morrer por alguém como eu?
Sinceramente não sei o que se passava pela cabeça de Jesus naqueles momentos em que ele procurou estar sozinho com o Pai. Talvez medo, ou decepção, cansaço, ou angústia. Verdadeiramente não posso determinar o que se passava no coração do Mestre, mas uma coisa é certa, seja qual fosse o sentimento em seu coração foi ali, naqueles momentos de solidão com o Pai, que ele resolveu olhar para o futuro de milhares de pessoas que sinceramente iriam aceitar seu sacrifício, que iriam amá-lo, que não se comprometeriam com o sistema mundano, que assim como ele ensinou amariam seu próximo, pregariam o evangelho, fariam diferença em meio a uma sociedade corrompida. Ele olhou para o meu e o seu futuro. Olhou para nós, que mesmo com nossas imperfeições, buscamos viver de modo digno da vocação a que fomos chamados (Ef 4.1).
O que seria de nós se ele tivesse desistido de nós? Como seria nosso futuro? Com certeza seria um futuro sem esperança. Agora me pergunto: como seria o futuro de milhares de pessoas que andam sem rumo se elas tivessem a oportunidade de encontrar o verdadeiro amor? Com certeza mães deixariam de jogar seus filhos em lixeiras, jovens deixariam de cometer barbaridades, políticos deixariam de viver suas vidas corruptas.
Jesus resolveu se sacrificar por mim, para que eu tivesse esperança, mas o que nós estamos dispostos a sacrificar para viver da maneira como por ele fomos ensinados a viver.
Nós somos a ponte que liga nossa sociedade a Deus. Se vivermos em amor ligaremos o mundo a Deus, se negligenciarmos o amor nossa sociedade não será capaz de compreender o amor de Deus. Por isso busque o amor, ame como Jesus amou. Essa é nossa missão, este é o nosso objetivo.
Obrigado Jesus por não ter desistido de mim, ajuda-me a não desistir deste mundo.

...pois eu sei em quem tenho crido...


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